Como calcular a potência que você precisa antes de contratar energia solar
Uma das perguntas que mais recebo de quem está pesquisando energia solar não é "vale a pena", é "quantos painéis eu preciso?" E a resposta que a maioria das instaladoras dá, um número solto tipo "8 painéis", esconde uma conta que você deveria conseguir fazer sozinho antes de qualquer proposta comercial.
Não precisa ser engenheiro pra entender essa conta. Precisa só de três números: quanto você consome, quanta luz solar sua região recebe, e a eficiência real do sistema.
Passo 1: descubra seu consumo médio em kWh
Pegue as últimas 12 contas de luz (não só uma, porque o consumo varia entre estações) e some o total em kWh, um dado que aparece destacado em toda conta de energia. Divida por 12 pra chegar no consumo médio mensal.
Exemplo prático: se a soma das 12 contas deu 4.800 kWh, seu consumo médio mensal é de 400 kWh.
Passo 2: descubra a irradiação solar da sua região
Irradiação solar é a quantidade de energia do sol que chega numa área específica, medida em kWh/m²/dia. Ela varia bastante pelo Brasil: regiões do Nordeste e parte do Centro-Oeste recebem entre 5,5 e 6,0 kWh/m²/dia, enquanto o Sul e partes do Norte, com mais nebulosidade, ficam entre 4,0 e 4,8 kWh/m²/dia.
O dado oficial e gratuito está no Atlas Brasileiro de Energia Solar, publicado pelo INPE, que traz o valor médio pra qualquer município do país.
Passo 3: aplique a fórmula de dimensionamento
A fórmula básica usada por projetistas pra estimar a potência necessária do sistema (em kWp, quilowatt-pico) é:
Potência (kWp) = Consumo mensal (kWh) ÷ (Irradiação diária × 30 × Eficiência do sistema)
A eficiência do sistema considera perdas reais: sujeira nos painéis, aquecimento, perdas no inversor e nos cabos. O valor técnico usado como referência de mercado é 0,75 (ou seja, 75% de eficiência real).
Exemplo completo
Usando os números do exemplo acima (consumo de 400 kWh/mês, numa cidade com irradiação de 5,0 kWh/m²/dia):
Potência = 400 ÷ (5,0 × 30 × 0,75) = 400 ÷ 112,5 = 3,55 kWp
Um sistema de 3,55 kWp, considerando painéis de 550 Wp (o padrão mais comum hoje no mercado), precisaria de aproximadamente 6 a 7 painéis pra atender esse consumo.
Por que essa conta importa antes de aceitar uma proposta
Quando você chega numa reunião com instaladora já sabendo a ordem de grandeza esperada (nesse exemplo, entre 3 e 4 kWp), fica muito mais fácil identificar duas situações problemáticas comuns no mercado:
- Sistema superdimensionado: proposta de 5 kWp ou mais pro exemplo acima, o que aumenta o investimento sem necessidade real, já que créditos de energia excedentes têm validade de 60 meses e depois perdem valor
- Sistema subdimensionado: proposta abaixo de 3 kWp, que vai deixar você comprando energia extra da distribuidora nos meses de maior consumo
Variáveis que sua instaladora precisa considerar (e você deve perguntar)
A fórmula acima dá a ordem de grandeza certa, mas o dimensionamento final profissional também precisa levar em conta:
- Orientação e inclinação do telhado: telhados voltados pro norte geográfico (no hemisfério sul) captam mais luz ao longo do dia
- Sombreamento: árvores, prédios vizinhos ou caixas d'água que projetam sombra em qualquer horário do dia reduzem a geração real
- Tendência de crescimento do consumo: se você planeja trocar o chuveiro por um mais potente, instalar ar-condicionado novo ou aumentar a família, vale dimensionar um pouco acima do consumo atual
Perguntas frequentes
1 kWp gera quanta energia por mês?
Depende da irradiação da região, mas como referência prática no Brasil, 1 kWp instalado gera em média entre 100 e 150 kWh por mês.
Painel de qual potência é o mais comum hoje?
Painéis de 550 Wp a 600 Wp são o padrão mais vendido no mercado brasileiro atualmente, substituindo os antigos modelos de 330 Wp a 400 Wp.
Essa conta serve pra sistema comercial ou industrial também?
A lógica é a mesma, mas sistemas maiores geralmente exigem um estudo de viabilidade mais detalhado, considerando também a demanda contratada e o horário de pico de consumo da empresa.
Escrito por
Fabricia Rio BrancoEngenheira ambiental, CEO da FRTB Consultoria Ambiental e mais de 12 anos de experiência com licenciamento, gestão ambiental e energia solar. Saiba mais
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